一、引言

Quando organizações internacionais entram no mercado queniano, costumam partir de uma premissa: basta criar um site, divulgar comunicados de imprensa e gerir redes sociais para alcançar o público-alvo. No entanto, o State of the Media Survey Report, divulgado em 2025 pelo Media Council of Kenya, mostra que a forma como o público local obtém informações é muito mais complexa do que se imagina — a televisão e o rádio ainda ocupam uma posição central no consumo de notícias, e as redes sociais, embora tenham altíssima taxa de penetração, são vistas por grande parte dos utilizadores como "ferramentas de entretenimento" e não como "fontes de notícias", com um nível de confiança significativamente inferior ao dos meios tradicionais. Esse fenómeno não é exclusivo do Quénia, mas é representativo em vários países africanos. Compreender esse ecossistema é o primeiro passo para a comunicação transfronteiriça.

二、Compreender o ambiente mediático: redes de informação num estado híbrido

O ecossistema mediático regional refere-se à rede de relações entre meios de comunicação, plataformas, instituições e públicos que influencia a produção, a disseminação e a formação de perceção de informação numa determinada região. O ambiente mediático do Quénia apresenta um marcado "estado híbrido".

Do ponto de vista estrutural, a radiodifusão tradicional ainda detém a atenção das massas. O relatório mostra que a televisão é uma das principais fontes de notícias para os inquiridos, enquanto o rádio, nas zonas rurais e remotas, ultrapassa até a televisão, tornando-se parte da infraestrutura de informação. A influência dos jornais concentra-se na população urbana de rendimento médio-alto, mas a tiragem continua a encolher. Paralelamente, os sites de notícias e as plataformas digitais expandem-se rapidamente — mais de 70% dos inquiridos utilizam smartphones para aceder a conteúdos, mas "utilizar" não é o mesmo que "confiar".

Em termos linguísticos, o conteúdo mediático queniano é predominantemente em inglês e suaíli, mas as emissões de rádio em línguas locais (como kikuyu, luo, entre outras) têm uma lealdade extremamente elevada em regiões específicas. Essa rede de informação multilingue e multinível é completamente diferente de um mercado de língua única.

三、Como a informação constrói confiança: cadeias e verificação

A confiança é a moeda da comunicação. No Quénia, a formação de confiança não depende apenas da qualidade do conteúdo, mas é realizada em conjunto pela reputação pré-existente das instituições mediáticas, pela independência das reportagens e pelas relações interpessoais na sociedade. Os inquéritos mostram que o público confia mais nos meios tradicionais (especialmente os estatais e as grandes empresas de comunicação comercial) quando cobrem assuntos do governo do que nos conteúdos das redes sociais. A razão é que os meios tradicionais estão sujeitos a regulamentação do setor (como as normas do Media Council) e têm responsabilidade editorial rastreável; já a informação nas redes sociais carece de mecanismos de verificação, chegando inclusive a provocar crises recorrentes de desinformação.

Ainda mais notável é o passo da "verificação comunitária". No Quénia, muitas notícias, depois de partilhadas em plataformas como WhatsApp e Facebook, são ainda confirmadas pelo público através de discussões de vizinhança ou de programas de rádio locais. Isso significa que, no processo de a informação entrar no círculo de perceção, as redes interpessoais e os meios locais desempenham o papel de "fiscais". Portanto, não é possível criar perceção com uma única divulgação — é necessário um acúmulo contínuo de conteúdo e participação localizada.

四、Erros comuns na comunicação: por que a "simples replicação" não funciona

1. Negligência do papel dominante do rádio em áreas não urbanas

Muitas organizações internacionais investem apenas em publicidade digital, mas o rádio cobre a maior parte da população não urbana. Em temas como políticas agrícolas e informações de saúde, o rádio é muito mais eficaz do que as mídias sociais.

2. Substituir a estratégia de língua local pelo pensamento em inglês

Embora o Quênia tenha o inglês como língua oficial, o suaíli e os dialetos são a “zona de conforto” para recepção de informações. Se o conteúdo comunicado estiver apenas em inglês, é difícil alcançar vilas e comunidades.

3. Dependência excessiva de exposição de curto prazo sem endosso local

No Quênia, a escolha de órgãos de imprensa específicos muitas vezes é mais importante do que o canal. Estabelecer relações de longo prazo com a mídia local ou ser citado por líderes de opinião locais tem efeito muito maior do que emitir uma sequência de comunicados de imprensa.

4. Ignorar as lacunas de confiança por trás da mídia digital

As empresas costumam pensar que “ampla cobertura nas mídias sociais equivale a influência”, mas pesquisas mostram que as mídias sociais são uma das principais zonas de desinformação. Impulsionar conteúdo sem curadoria pode prejudicar a credibilidade da marca.

5. Desrespeitar a regulamentação e as práticas do setor

A Comissão de Mídia do Quênia tem requisitos claros para as normas jornalísticas, e o respeito à independência editorial é pré-condição para a cooperação. Forçar a mídia a publicar segundo uma narrativa oficial reduz a confiabilidade.

5. Modelo de comunicação: modelo de comunicação de confiança híbrida

Com base na análise acima, podemos extrair um “modelo de comunicação de confiança híbrida”:

Fonte de autoridade → Validação local → Disseminação secundária pelo público → Consolidação da percepção a longo prazo

O modelo revela que, no Quênia, a comunicação não é uma publicação linear, mas um revezamento de confiança em múltiplos nós. A mídia tradicional é responsável pela “credibilidade”, as plataformas digitais pela “capilaridade” e as redes interpessoais pela “confirmação”. Os três são indispensáveis. Para as organizações internacionais, a melhor estratégia não é escolher um único canal, mas estabelecer um mecanismo combinado — usar a mídia tradicional para construir autoridade, usar conteúdo localizado (idiomas, casos) para se aproximar do público e depois amplificar por meio das comunidades digitais.

6. Observação da Veerixa

A dificuldade da comunicação internacional muitas vezes não está em saber se a informação foi publicada, mas sim se ela entrou no ambiente informacional aceito pelo público local. O caso do Quênia mostra que o ecossistema midiático de um mercado é produto da intersecção entre história, língua, tecnologia e sistemas de confiança. Transferir a lógica de comunicação dos mercados maduros europeus e norte-americanos para a África facilmente falha por “desalinhamento de canais”. Compreender os caminhos de fluxo de informação de diferentes mercados é mais importante do que perseguir a atualização dos canais de mídia.

7. Conclusão

A característica central do ecossistema midiático queniano é a “coexistência entre autoridade tradicional e fragmentação digital”. De um lado, a radiodifusão continua a ser a integradora de informações nacionais; de outro, as mídias sociais se tornaram a infraestrutura das redes interpessoais de informação. Entre as duas, porém, não há relação de substituição, mas sim de complementaridade e disputa. Os comunicadores internacionais precisam reconhecer que a verdadeira capacidade de comunicação está em compreender e respeitar a complexidade desse ecossistema, e não em tentar resolver todos os mercados com um modelo uniforme.

A Veerixa usa esta nota como ponto de verificação para conteúdo de comunicação. Os links mostram o registro de base, enquanto o artigo se insere em distribuição global de mídia e apoio à comunicação internacional; antes de usá-lo como orientação de veiculação, campanha ou compra, consulte as referências originais.

Fontes

https://mediacouncil.or.ke/sites/default/files/downloads/State%20of%20the%20Media%20Report%202025.pdf