1. O que aconteceu?

Recentemente, o setor global de relações públicas e comunicação apresentou um sinal digno de observação: os grandes grupos de comunicação estão integrando profundamente plataformas de dados de inteligência artificial aos negócios de relações públicas, usando isso como barreira competitiva. O caso mais típico é a conclusão da aquisição da Interpublic Group (IPG) pelo Omnicom, seguida do anúncio de uma série de reestruturações organizacionais agressivas. Segundo reportagens do setor, essa transação histórica teve valor aproximado de US$ 13 bilhões, e o grupo combinado possui receita anual próxima de US$ 25 bilhões, com mais de 1.500 agências sob sua gestão. A ação mais emblemática foi fundir a Golin e a Ketchum em uma nova agência de comunicação de marca, incorporar a Porter Novelli à FleishmanHillard e, simultaneamente, lançar a plataforma inteligente atualizada "New Omni", integrando os dados de identificação determinística da Acxiom ao ciclo de avaliação dos resultados de relações públicas.

Essas ações não são uma simples fusão de agências, mas uma redefinição da infraestrutura de comunicação em torno de "IA + dados". Tradicionalmente, os departamentos de relações públicas e de publicidade usam KPIs e sistemas de avaliação diferentes; os profissionais de relações públicas dependem de relações com a mídia e da capacidade narrativa, cujos resultados são difíceis de atribuir diretamente. A integração do Omnicom significa que relações públicas e publicidade foram colocadas sobre a mesma base de dados: uma notícia pode ser rastreada até consumidores de identidade específica, e seus vestígios de influência podem ser encontrados nos dados comportamentais subsequentes. Isso pode fazer com que as "relações públicas de marca" obtenham, pela primeira vez, o mesmo nível de explicabilidade que a "publicidade digital".

2. Por que essa mudança é importante?

A "dor da mensuração" nas relações públicas existe há muito tempo. Os responsáveis pela comunicação da marca não conseguem explicar ao conselho como um artigo assinado por um executivo ou uma resposta a uma crise se converte em vendas. Isso faz com que o orçamento de relações públicas muitas vezes seja o primeiro a ser cortado em períodos de desaceleração econômica. Tradicionalmente, a comprovação dos resultados de relações públicas depende de indicadores controversos, como "valor equivalente em publicidade" (AVE) e "alcance potencial", que não refletem mudanças reais de comportamento e não possuem comparabilidade entre canais.

A solução de integração do Omnicom mira exatamente essa dor estrutural. Por meio das aproximadamente 2,6 bilhões de identidades verificadas globalmente cobertas pela Acxiom RealID, as equipes de relações públicas podem associar conteúdos específicos às trajetórias comportamentais de indivíduos reais e, com ferramentas de medição comercial como a Flywheel, realizar uma atribuição de resultados em ciclo fechado. Quando um comunicado de imprensa consegue demonstrar, como um anúncio direcionado com precisão, seu impacto sobre o comportamento de compra ou a atitude em relação à marca de um determinado grupo de clientes, o papel das relações públicas nas decisões empresariais passará por uma mudança qualitativa.

Deixam de ser apenas "contar uma boa história" e passam a ser um investimento que pode ser otimizado e combinado com base em dados em tempo real. Para as empresas, isso significa que a lógica de prestação de contas do departamento de comunicação passará de "quantas exposições obtivemos" para "quais comportamentos de quais pessoas influentes afetamos". Para as agências, os critérios de avaliação em pitches também se estenderão da "qualidade criativa" para a "capacidade de dados e maturidade em IA".# 3. A mudança estrutural oculta por trás das transformações

Na superfície, são fusões e aquisições de agências; por trás, há uma mudança estrutural na forma como a informação é organizada. No passado, o núcleo da indústria de relações públicas era influenciar editores e jornalistas, que decidiam se a informação seria apresentada ao público. Era uma cadeia "pessoa a pessoa", em que a confiança se baseava em relações profissionais. Na era da busca por IA e da recomendação personalizada, a informação é indexada, pontuada e recomendada aos usuários por algoritmos. Os algoritmos não apenas entendem palavras-chave, mas também avaliam a autoridade, a relevância e a consistência das fontes do conteúdo. Isso significa que, se uma organização não puder ser "compreendida e verificada" pelas máquinas, dificilmente entrará no mundo cognitivo do público.

Propomos um conceito: Communication Visibility, ou seja, a capacidade de as informações de uma organização serem encontradas, compreendidas e verificadas em diferentes sistemas de informação. Essa capacidade não depende mais simplesmente de orçamento ou criatividade, mas do grau de estruturação do conteúdo, da credibilidade das fontes e da sua citação por terceiros. Por exemplo, quando um usuário pergunta a um assistente de IA "Como é o desempenho de determinada empresa em ESG?", a IA pode citar relatórios anuais, comunicados à imprensa, cobertura da mídia, avaliações de consumidores e outras fontes. Qual informação é citada preferencialmente decide a visibilidade da marca nos algoritmos.

Usamos o "Ciclo de Visibilidade" (Visibility Loop) para descrever esse novo mecanismo competitivo:

Geração de conteúdo → Verificação por terceiros → Descoberta por busca → Compreensão por IA → Acúmulo cognitivo

A RP tradicional cobre os dois primeiros nós, enquanto a plataforma de dados da Omnicom tenta cobrir todo o ciclo. Ela informa aos clientes "quem citou o conteúdo" por meio de dados de monitoramento de mídia e também informa "quem viu e quem agiu" por meio de dados de identidade. Indo além, os agentes de IA podem ajustar automaticamente a próxima estratégia de distribuição de conteúdo e comunicação com a mídia quando a reputação do cliente oscila. A mudança estrutural resultante é que a RP passa de "publicação de informações" para "gestão do ciclo de vida da informação", de função de apoio para núcleo de decisão.

4. Como os participantes do setor estão se ajustando?

Para os grandes grupos de publicidade, a integração da Omnicom oferece um modelo de referência: por meio de uma plataforma de dados unificada, integrar RP, publicidade, compra de mídia e análise comercial em um único sistema operacional. Os concorrentes não podem ignorar isso, e é provável que surjam mais fusões e atualizações de plataforma semelhantes no futuro.

Para as equipes de comunicação corporativa, um ajuste importante é redefinir os critérios de qualificação das agências. Além da criatividade e das relações com a mídia, as equipes de comunicação precisam avaliar se a agência consegue acessar dados confiáveis de terceiros e se possui capacidades de monitoramento de mídia e atribuição de resultados impulsionadas por IA. Muitas empresas também começaram a criar internamente cargos de "ciência de dados de comunicação" para dialogar com a alta administração.Para agências de RP independentes, este é um período de pressão e oportunidades. Por um lado, os custos de aquisição de infraestrutura de dados e os custos de contratação de talentos em ciência de dados representam desafios; por outro lado, ferramentas de IA independentes (como modelos de linguagem de código aberto e plataformas automatizadas de monitoramento de mídia) estão reduzindo as barreiras tecnológicas, permitindo que pequenas equipes também ofereçam um certo nível de serviços de medição.

Para as organizações de mídia, o seu papel de "verificadoras" na era da IA torna-se mais importante e também mais complexo. As empresas esperam que os seus comunicados de imprensa sejam citados pela mídia de autoridade, influenciando assim a saída dos modelos de IA. A mídia pode, portanto, transformar-se de mera disseminadora de conteúdo em "intermediária" de dados de reputação corporativa. Ao mesmo tempo, a credibilidade da própria mídia será reavaliada por algoritmos, e veículos com qualidade de reportagem estável e padrões rigorosos de fontes terão maior valor.

5. Sinais que merecem atenção no futuro

Com base na análise acima, recomendamos prestar atenção aos seguintes cinco indicadores:

  1. A migração das fontes citadas pela IA. Se as respostas de ferramentas de busca por IA, como ChatGPT e Perplexity, citarem cada vez mais comunicados de imprensa ou conteúdos de sites oficiais das empresas, o peso da mídia tradicional na distribuição de informações diminuirá? Como isso afetará a estrutura de investimento em RP das empresas?

  2. Mudanças na forma das agências. Seremos capazes de ver agências de RP "nativas em IA" emergindo, que não vencem pelo tamanho da equipe, mas sim oferecem serviços de alta relação custo-benefício por meio de automação e capacidade de calibração de modelos?

  3. As restrições das regulamentações de privacidade de dados. Sob o GDPR e outros regulamentos de privacidade, o rastreamento de identidade determinística será limitado? As soluções alternativas de medição (como estatísticas agregadas e privacidade diferencial) tornar-se-ão mais populares?

  4. Atualização dos padrões de avaliação de resultados de RP. Será que métricas antigas, como AVE, sairão oficialmente das diretrizes do setor? Os novos padrões de avaliação serão promovidos por associações profissionais como PRSA e AMEC?

  5. Acessibilidade tecnológica para pequenas e médias empresas. Quando grandes grupos obtêm dados exclusivos por meio de fusões e aquisições, as pequenas e médias empresas conseguirão, com ferramentas de IA no modelo SaaS, obter capacidades de medição de visibilidade semelhantes? Isso influenciará em grande medida a equidade competitiva do setor.

6. Observação da Veerixa

O que realmente mudou não é o número de canais de comunicação, mas sim como as organizações entram no ambiente de informação e formam percepção de longo prazo. A indústria de RP foi construída no passado sobre "relações com a mídia", e agora precisa ser construída sobre "infraestrutura de informação". A IA não substituirá jornalistas ou consultores, mas mudará todo o processo de formação de julgamento, persuasão e confiança. Para todo o setor de comunicação, o desafio mais realista não é abraçar a IA, mas entender como a IA reestrutura as regras de "visibilidade" — o que afetará todos os aspectos da gestão de reputação corporativa.

7. ConclusãoA fusão de grandes grupos e o lançamento de plataformas de IA são apenas os primeiros sinais dessa mudança estrutural. No futuro, a vantagem competitiva do setor de relações públicas não dependerá mais de quem escreve os comunicados de imprensa mais bonitos, mas sim de quem consegue construir ativos de reputação verificáveis, rastreáveis e acumuláveis em um ambiente de informação orientado por algoritmos. Isso é tanto uma transformação tecnológica quanto uma atualização da compreensão do setor. Para cada profissional de comunicação, o importante é perceber: as regras do jogo estão mudando, e as novas regras ainda não foram escritas.

A Veerixa usa esta nota como ponto de verificação para conteúdo de comunicação. Os links mostram o registro de base, enquanto o artigo se insere em distribuição global de mídia e apoio à comunicação internacional; antes de usá-lo como orientação de veiculação, campanha ou compra, consulte as referências originais.

Fontes

https://www.klover.ai/omnicom_ai_strategy_in_pr_dominance